Faz
algum tempo que escutamos que a água será motivo de guerra no futuro, pois
então, o futuro chegou. Já estamos vendo a “guerra” jurídica e midiática que e
o estado de São Paulo está travando com o estado do Rio de Janeiro pela água do
Rio Paraíba do Sul (sem contar algumas regiões do Brasil que travam essa
batalha há muitos anos e os crescentes conflitos ignorados na África).
Aqui
em nossa região temos visto os partidários simpáticos à gestão do governo do
estado, dizendo que o Rio de Janeiro está sabotando São Paulo, não permitindo o
uso que pretende do Paraíba do Sul. Por sua vez, a mídia carioca, simpática ao
seu governo diz que São Paulo quer sabotar o Rio de Janeiro. Por trás disso
tudo estão os próprios governos estaduais defendendo seus “objetivos”.
Quando
os técnicos (não partidários) falam percebemos que nem São Paulo, nem o Rio de
Janeiro e tampouco o governo federal, têm cumprindo com suas obrigações de
gestão. Segundo afirmou Márcio Pereira, especialista em meio ambiente para a
Exame Meio Ambiente: "As nossas agências reguladoras deveriam fazer a
mediação de conflitos, mas esse papel ainda não foi implementado. Cabe ao
governo fazê-lo. É o processo de integração entre diferentes politicas que está
faltando. O setor elétrico tem uma política, o setor de resíduos tem outro, o
de água tem outro, assim fica difícil". Ou seja, o que sempre falo:
planejamento não é o nosso forte.
Recentemente
a Deutsche Welle publicou uma matéria com dados da S.O.S. Mata Atlântica relacionando
o desmatamento ao agravamento da crise hídrica de São Paulo, apresentando, inclusive,
dados de experiências realizadas. Mas o que é obvio para os ambientalistas,
chamados de “eco-chatos”, não parece óbvio para a administração pública,
preocupada com números e a manutenção do poder. O desflorestamento de 70% na
região do Sistema Cantareira, ou seja, a diminuição das florestas próximas ao
principal fornecedor de água da região metropolitana contribuiu diretamente
para o acelerar da crise e seca nos reservatórios.
Os
números são importantes (queda da criminalidade, índices de aprovação, número
de casas populares construídas, ruas asfaltadas etc.), a manutenção de poder
pode ser importante, se tratamos de um bom governo. Mas qualquer plataforma de
governo deve colocar o meio ambiente em lugar de destaque, concorrente com as
prioridades da região. Será que o desespero de última hora é que vai pautar as
ações no meio ambiente nesse país? Às vezes devemos parar e pensar se estamos
avançando ou “inchando”, diminuindo assim as chances de reverter o quadro
futuramente.
Recentemente
a Alemanha nos deu uma lição em campo, mas é interessante refletir que eles vêm
dando lições de sustentabilidade ambiental e de organização há muito tempo.
Angela Merkel, (a Chanceler, equivalente à Presidente ou Primeiro Ministro) líder
respeitada e admirada mundialmente, antes de ascender a posição mais importante
daquele país, foi Ministra do Meio Ambiente. Essa é a importância que um país
desenvolvido dá ao meio ambiente.
Voltando
ao nosso país e a nossa região, a crise da água em São Paulo só não está sendo
debatida e causando tanta preocupação porque estamos em campanha eleitoral, e
todo mundo sabe o que acontece nesse período.
De
acordo com estudos recentes a crise no abastecimento de água não se deve apenas
ao calor recorde e ao menor índice de chuvas já registrado nos últimos 84 anos.
Especialistas defendem que o desmatamento em bacias hidrográficas contribui
para diminuir a quantidade e a qualidade das águas, tanto superficiais quanto
subterrâneas. Isso é gravíssimo!
Diante
destes dados o que nós cidadãos podemos fazer? Existe toda a campanha contra o
desperdício, que é totalmente pertinente, porém eu sugiro, em primeira
importância, atenção aos poucos remanescentes de florestas que ainda temos em
nossa região, os quais estão sendo aos poucos e sorrateiramente destruídos.
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Rio Paraíba do Sul. Foto: Alexandre Ramos |